[RESENHA] O AINDA NÃO DURA PARA SEMPRE - AMAURI RODRIGUES

Título: O Ainda Não Dura Para Sempre
Autor: Amauri Rodrigues
Editora: Kiron
Páginas: 204
Ano da Publicação: 2015
Nota: 2/5

Sinopse: Situada nos confins de Pacó Baçu, a pequena cidade de Vila K. Fundós é palco das ações de personagens simples, mas, nem por isso, simplórios, que tecem o cotidiano desse país marcado por idiossincrasias sui generis. Neste espaço ficcional, personagens negros protagonizam acontecimentos, nos quais, de forma inédita na literatura brasileira, eles se desdobram como indivíduos com voz, com vez e sem cor, repelindo o culto ao estereótipo, sem cair no panfletário.
O ainda não dura para sempre tem seu principal eixo temático centrado na ambiguidade vivida pela Venda configurada entre a sua dimensão física e a dimensão ideológica do Armazém. É nesta perspectiva dialética que o texto critica e questiona a pretensa hegemonia de discursos policialescos, controladores e cerceadores do direito à dissensão, com os quais seus adeptos estigmatizam pessoas e pensamentos destoantes do viés politicoideológico dos discursos que proferem.

Quando recebi o livro, não fazia ideia alguma sobre a história. Li a sinopse e percebi ali que não seria uma leitura fácil. Pois fugia, e muito, da minha zona de conforto. Foi sim uma leitura demorada e difícil pra mim.

O livro vai nos contar a história de vários moradores de uma cidade bem precária, uma cidade do interior, chamada Vila K. Fundós. Lá temos a Venda/Armazém, onde temos praticamente o desenrolar de toda a história. Lá é o palco principal. 

A Venda pertence ao Zé Panóis, que recebeu de herança do pai, Epifânio. Zé Panóis, nunca demonstou interesse com a Venda, nem mesmo com seu próprio futuro. Nunca quis saber de estudar. Já seus irmão estudaram, se formaram e se mudaram para a Capital, onde trabalham e vivem bem.

Temos outros personagens, mas um dos principais é Zé Panóis, é em sua Venda que gira a história, onde muitos personagens fazem suas compras, param para beber, assistir TV e até mesmo jogar conversa fora. Na Venda se vende de tudo, precisou é só ir até lá.

A Vila K. Fundós, é uma pequena cidade incrustada em Pacó Baçu. Lá temos uma realidade vivida em nosso país. Cidades que são esquecidas, bairros que pra muitos nem existem. O autor escreveu essa história, creio eu, para ironizar a realidade de muitas pessoas. Vila K. Fundós é aquele interior do interior, que nem imaginamos existir e que não passa em nossas cabeças o quão sofrido é para muitos.

Os personagens não têm estudo, vivem precariamente. São realmente pessoas que para a gente, vivem outra realidade. Mas, são felizes daquele jeito, talvez se tivessem que sair dali e ir viver "melhor", a adaptação nunca chegaria.

Até certo ponto eu gostei do livro, entendi perfeitamente o que o autor quis nos mostrar. Talvez por não estar acostumada com a forma como os diálogos foram escritos, pra mim, foi mais complicada a leitura, foi mais massante. 

Exemplo de um diálogo, o que pra mim, tornou a leitura do livro um pouco mais difícil:

_ Levanta, fio, i vai pru banhu inquantu arrumu sua ropa.

Pra quem não está acostumado a ler livros que contêm diálogos "diferentes", com certeza a leitura será mais complicada, pelo fato de as vezes, demorar a entender o que quer dizer.

O livro foi muito bem escrito, a diagramação está ótima. O que realmente me fez demorar a terminar a leitura, foi o fato de me tirar totalmente da minha zona de conforto.

Beijos,
Grazi

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