[Resenha] A Redoma de Vidro - Sylvia Plath

"Uma garota vive em uma cidade no meio do nada por dezenove anos, tão pobre que mal pode comprar uma revista, e então recebe uma bolsa para a universidade e ganha um prêmio aqui outro ali e acaba em Nova York, conduzindo a cidade como se fosse seu próprio carro. Acontece que eu não estava conduzindo nada, nem a mim mesma". 
Trabalhando em Nova York durante o verão, Esther Greemwood parece estar no auge de sua vida. Entretanto, ali também é o início da escuridão que faz de seu mundo uma construção irreal e distante de si. Nesse romance vivo e inesquecível sobre as dores e os desafios do amadurecimento, o mundo de Esther parece uma sucessão de esperanças juvenis, desejos despertados, noites em Nova York e um lento apagamento disso tudo.

Já tinha lido algumas resenhas sobre o "A Redoma de Vidro" e tinha me chamado muita a atenção. O livro já estava na minha lista de desejados e assim que desse eu o compraria. Mas eis que surge minha irmã com ele e claro, peguei emprestado.

Eu já tinha lido em alguns blogs e minha irmã também já tinha me falado que uma pessoa deprimida jamais deve ler esse livro. Até então tinha achado um pouco de exagero, mas ao finalizar a leitura, constatei que realmente, uma pessoa deprimida, não deve em hipótese alguma passar perto desse livro (rsrsrsrs).

"Eu via os dias do ano se estendendo diante de mim como uma série de caixas brancas e brilhantes, separadas uma da outra pela sombra escura do sono. Só que agora a longa perspectiva das sombras, que distinguia uma caixa da outra, tinha subitamente desaparecido, e eu via os dias cintilando à minha frente como uma avenida clara, larga e desolada até o infinito."

Lançado em 1963, ele é o único romance da autora, que publicou diversas coletâneas de poemas durante sua vida. Bastante autobiográfico, ele faz com que entendamos com detalhes o universo interior de Sylvia, uma artista que sempre expôs conflitos pessoais da forma mais despida de máscaras possível – numa época em que muitas mulheres se sentiam obrigadas a esconder o que realmente se passava em seus imaginários de forma mais acentuada.

O livro nos conta a vida de Esther Greenwood. Uma "boa moça", sempre tirou as melhores notas da sala, todas as matérias que fazia na faculdade ia bem (mesmo aquelas em que a garota não suportava). Devido à isto, ela ganha um estágio em uma revista de moda, super badalada, e durante um mês sua moradia passa a ser Nova York.

Por mais glamouroso que tudo isso era, afinal ela ganhava roupas, ganhou um bom dinheiro, maquiagens das marcas mais sofisticadas, convites para eventos importantíssimos neste meio... ela não se encontrava totalmente ali, algo ainda estava faltando em sua vida.

"Para a pessoa dentro da redoma de vidro, vazia e imóvel como um bebê morto, o mundo inteiro é um sonho ruim."


Ela não conseguia se socializar com as pessoas, não tinha amigos...aliás as pessoas até tentavam se aproximar dela, mas Esther simplesmente não conseguia confiar em ninguém e criou uma barreira em volta de si mesma. Uma das cenas que mais me marcou narradas pela autora, foi uma noite em que Esther estava em seu quarto de hotel e uma de suas 'conhecidas' bate na porta dizendo que está passando muito mal por ter bebido demais, ela simplesmente fecha a porta e a deixa dormindo no corredor mesmo, e no outro dia ela não mostrou um arrependimento sequer.

Depois desse um mês do estágio, ela volta pra casa de sua mãe, e não consegue se firmar em nada, não sente vontade de voltar às aulas da faculdade, passa o dia todo em seu quarto, evita encontrar seus amigos...e depois de ser muito pressionada por sua mãe, que não entendia o quão grave estava a situação de sua filha e nem que esta estava com depressão... Esther tenta o suicídio.

Porém ela se esconde no porão da casa e deixa um bilhete avisando sua mãe que vai dar uma longa caminhada... por isso, ninguém tenta procurá-la dentro de casa, até que um dia sua mãe vai lavar as roupas e encontra o corpo da filha... viva! É levada para o hospital e depois de alguns dias vai direto para um hospital psiquiátrico...aliás ela passa por vários antes de finalmente encontrar uma médica em que ela realmente gostasse.


"O ar da redoma me comprimia, e eu não conseguia me mover."

É um livro que meche bastante com a gente, é marcante e dói. Se Sylvia quis retratar em Esther  características de si mesma, só posso deduzir que em certo momento de sua vida Plath achou que ainda havia esperança para si, e achava que encontraria alguma solução para sair de sua redoma pessoal, como a própria protagonista. É realmente doloroso pensar que ambas tiveram destinos diferentes.

Título A Redoma de Vidro// Autora Sylvia Plath// Editora Biblioteca Azul// Páginas 280// Minha Classificação 5/5

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